10 fevereiro 2010

Sim sou preta!

Antes de começarem a ler este post, peço desculpa pela linguagem utilizada, mas tinha que vos expressar o meu ponto de vista e falar-vos desta experiência 'menos boa'.


Uma vez passei por um blog (ou lá o que era aquilo) que me cativou. Chamou-me a atenção a mensagem de apresentação da proprietária do mesmo, que dizia assim:


Sou fã da psicologia inversa, por isso não me tentem ofender... raramente dá resultado. 


Gostei do blog. Segui o blog. Fui lendo e comentando. Até ao dia em que me deparei com um post descaradamente racista com a imagem e o texto abaixo:








Nunca fui racista e sempre critiquei generalizações mas a maior parte dos africanos ( camada juvenil ) que vive actualmente neste país não estuda, não trabalha, não colaboram em nada para o país que afirmam ser também deles porque nasceram cá... Mas trabalhar e lutar por esse tal país tá quieto! Optam por fazer filas na Seg. Social para pedirem casas, comida e subsídios para tudo e mais alguma coisa! E como o Estado lhes paga... para quê mudar? São burros mas são espertos! E se alguém diz alguma coisa vem de imediato uma associação qualquer defender os coitadinhos porque são marginalizados! Marginalizado infelizmente é quem trabalha e faz alguma coisa por isto! Alguns culpam a situação difícil de Angola por exemplo, como tendo sido culpa dos Portugueses que de lá sairam... a eterna vitimização! A Alemanha teve 2 guerras mundiais, fome e destruição por toda a parte e não ficaram a ver navios, levantaram-se e andaram para a frente! Desculpas da treta para a boa vida... P.S- Hesitei em escrever sobre isto mas a mostarda chegou-me ao nariz com certas coisas que observo, é um mero desabafo, mas se quiserem podem prender-me à vontade que eu também quero viver à conta do Estado!


...


Caramba. Os meus amigos mais chegados tratam-me por "Preta". Brincamos com a palavra, com situações de racismo MUTUO existente no mundo, até com a escravidão. Mas desta vez senti-me ofendida. O post tinha uma data de comentários, uns racistas, incluindo os dela, outros não. Podia simplesmente ignorar. Mas, foi mais forte que eu e tive que responder:


Sou preta. Sim sou. A minha filha também (o pai dela é branco, mas na linha dos africanos ninguém atravessa). Um preto é sempre um preto! Arrepiei-me ao ler tudo isto. Não estou nem um pouco interessada em comentar o que os demais já comentaram. Tudo esmiuçadinho, vejo dois lados da questão: os que acham que somos "pretos do caralho" e os que não acham.
Ora... eu nasci preta e fui criada por brancos... a minha filha nasceu quase branca e está a ser criada por uma preta... O pai da minha filha é branco... As relações inter-raciais só poderão resultar algum dia se as pessoas souberem respeitar-se. São os pretos e são todos. Existe falta de respeito. E de nada vale dizer: "ah não! eu não sou racista!"; porque se não respeito então sou. Não ando a coçar o cú nas paredes. Trabalho que nem uma doida para sustentar a minha filha. Não quero que me lavem o cú em água de malvas, aliás, prefiro sabonete Dove até porque o pago com o MEU ordenado. Não roubo. Não mato. Não esfolo. Se quero casa pago-a, se quero comida compro-a e faço-a e se quero roupa lavada lavo-a com a máquina de lavar que comprei com o MEU ordenado. Fui à Segurança Social 2 vezes. A primeira para registar a minha filha no meu agregado familiar. A segunda para solicitar subsídio de desemprego, que usufruí por apenas 2 meses, porque não gosto de viver à conta dos outros.
Sim sou preta. Desculpem lá!

...
Ora, depois disto não obtive resposta daquela miúda 'metida a besta' (como diriam os brasileiros) que se apresenta com 'ar ameaçador' e que se apresenta daquela forma... uhhhhhh 'ka medo'
...
Isto só para mostrar que infelizmente, e nos dias que correm ainda existem alguns seres humanos que não percebem algumas coisas. Não percebem mesmo! O que vale é que eu sou FELIZ!

escrita por mão própria


Adoro folhas de papel, canetas de ponta fina, macias, leves ao toque.

Já o papel, qualquer pedaço, desde que tenha espaço!

Aqui está o meu testemunho manuscrito!

Bem, Lobinho, se a moda pega... está tudo 'quinado'!

Beijinhos**

Um cacto, Ginger?!?!

Eu disse que te respondia, pois então aqui vai:

Magestosa. Imponente.
Folha feita espinho.
Talo suculento.
Flor simétrica e solitária
Mas bela  de noite ou de dia.
Independente e auto-suficiente.

Ginger... 'ser' um cacto tem muito que se lhe diga... irra!! Mas são lindos!!

Beijinho grande para ti**

09 fevereiro 2010

Lala vista como uma flor...

Gosto de flores.
Tenho um gosto especial por papoilas e tulipas.

A papoila, bem...

A papoila transmite-me força.
Leve como um pedaço de papel de seda.
Complexa no seu interior.
Simples na sua forma.
Forte. Corajosa.
Encontra sempre o seu lugar ao sol.
::assim é a Lala::

A tulipa... ah a tulipa!

Essa encanta-me...
Transmite-me confiança. Energia.
De haste rija. Flor solitária.
Diferente entre iguais.
Diversificada no seu género.
Mas única na sua forma.
Multicolor. Especial.
::assim é a Lala:: (olha eu ali de amarelo)!

03 fevereiro 2010

O Feiticeiro das Pedras do Mar

 
Era um velho muito velho, que vivia numa casa de palha, na praia, sozinho e feliz.
Os putos costumavam passar pela casa de palha e, entoando risinhos de gozação ou, talvez brincadeira, chamavam pelo "Feiticeiro das Pedras do Mar" - era assim que por todos era conhecido - e depois, os mais envergonhados, fugiam a correr, os outros, mais corajosos, ficavam à espera que reagisse. Reagia sempre. Tanto para os que fugiam como para os que ficavam, com um sorriso. O velho sorria sempre. Com aquela dentadura mais branca que sei lá o quê - se ele não fosse velho, juraria que eram dentes de leite - sorria para os gaiatos. Nunca falava - aliás nunca lhe ouvi uma palavra, nem resmungada, nem rezada! Mas sorria sempre.

Ninguém lhe sabia o nome - nem eu sei - e também ninguém lhe conhecia as raízes. Era um velho muito velho. Mas só se sabia isso porque o velho era o mesmo desde o tempo em que os pais daqueles putos eram putos. Já eles por ali passavam com risinhos a chamar pelo "Feiticeiro".
Era preto que nem carvão, o velho. De caracolinhos brancos e bem cerrados, mas sem uma única linha da passagem do tempo no seu rosto.
Toda a vila estava habituada apenas à sua casa de palha e à sua presença ali... Ali mesmo, entre uma duna e outra, naquela praia que era a dele... Todos os outros, mesmo não sabendo, eram seus convidados de todos os dias. Fosse verão ou inverno. A praia tinha sempre gente. E sorria para as gentes como se estivesse a recebê-los nalguma festa. 
Quem ia à "praia do feiticeiro" - assim era conhecida - não entrava sem o cumprimentar, nem saía sem se despedir... nem que fosse só com um aceno.
Mas também ninguém sabia que conversas se travariam na sua cabeça, por detrás daquele sorriso branco.

Mas por mais "feiticeiro" que fosse achado pelas gentes daquela vila - e pelas demais, incluindo eu - na verdade, o velho não o era. Não era adivinho, não lançava búzios, não engendrava poções mágicas.
No entanto, o velho tinha uma curiosidade, de que poucos falavam, mas eu atrevo-me aqui a contar-vos. Tinha sete pedras nos, ainda, bolsos das suas calças mais que rasgadas (quase desfeitas, acreditem). Mas aqueles bolsos resistiam e albergavam todos os dias o mesmo peso. Há anos que assim era. Quatro pedras no esquerdo e três no direito. E nunca as trocava de bolso. Sabia exactamente quais eram "as quatro" e quais eram "as três". Ninguém sabia o que fazia ele com aquelas pedras. Volta e meia andava com elas na mão. Às vezes parecia que falava com elas. Outras vezes parecia que as lia. Outras ainda, que as ouvia.

Quando o sol estava alto, o velho colocava-as por cima da palhoça durante algum tempo. E depois retirava-as directamente para os respectivos bolsos. Repetia isto sempre que havia sol.

Um dia os putos passaram pela casa de palha, com os habituais risinhos de gozação, ou brincadeira - nunca cheguei a perceber -  e o velho... nada! O sol estava quente e as pedras como de costume estavam em cima da palhoça. Mas do velho, nem sinal.
Os mais corajosos atreveram-se a espreitar por entre as palhas já ressequidas pelo sol e nada mais conseguiram avistar que a sua esteira de palha e um caneco de barro.
O mais pequenino ousou, ainda, tocar nas pedras do velho - nunca ninguém ousara - e percebeu que faltava uma... Toda a gente dizia que o velho tinha sete pedras, mas o puto só contava seis...

Correram para a vila, ofegantes e assustados. Depressa se espalhou a notícia e mais depressa ainda se juntaram as gentes na "praia do feiticeiro".  Os sons naturais da praia foram abafados por um burburinho irritantante de especulações - algumas delas descabidas, confesso. Nem nas pegadas na areia poderiam tentar descobrir fosse o que fosse, pois se a praia estava cheia de gente, então as pegadas do velho haviam desaparecido.

O sol foi-se e, pouco a pouco as pessoas foram saindo da praia. Ficaram os putos. Ainda estarrecidos e, pelo que percebi, um pouco enfurecidos com o velho.

- "Mas afinal onde se meteu o Feiticeiro das Pedras do Mar?" - perguntou um deles já desvairado.
- " Foi procurar a pedra que lhe falta. Se calhar está dentro do mar..." - respondeu o mais pequeno - aquele que contou as pedras.

Instalou-se um silêncio cortante. E o puto mais pequeno vira as costas zangado e diz:

- "A Praia do Feiticeiro" não vai voltar a ser a mesma se o velho não encontar a pedra... Disso eu tenho a certeza!" E foram-se embora.


Participação de um velho "feiticeiro" no desafio do mês de Fevereiro para a Fábrica de Letras

::post it::

::beleza:: (6) ::carolina:: (8) ::imagina só:: (48) ::lala:: (45) ::lala::; dia de cão (2) ::pai natal sim ou não:: (2) ::pró natal:: (8) ...de pensador para pensador... (17) Abismo (3) Absmo (1) Actual (21) actualizações de amigos do facebook (4) Alberto Caeiro (1) aldeias s.o.s. (3) amor (4) amor de mãe (10) aniversário (2) Ano Novo (1) António Feio (1) blogosfera (3) cá dentro é assim (16) casa pia (1) coisas (21) coisas que fazemos com crianças quando não temos nada para fazer (1) condução (4) contos (1) contos de encontro (1) Conversas de Autocarro (1) Curiosamente (12) d'alma (15) desafio (16) desejos (1) dia da mulher (2) dia do pai (1) Diário do Autocarro 462 (1) Efemérides (1) ele há coisas que não lembram nem ao Menino Jesus (6) Elis Regina (1) ensaios (4) escrever (4) estava vazio (1) Estórias (10) Fábrica de Letras (18) Férias (2) festa (6) florbela espanca (1) frio de cão (1) futebol (1) gata Sofia (1) Histórias (6) In...side (10) Jack Johnson (1) joana (1) lapsus memorius (2) letras que saem tipo plim (12) maggie (1) Martinho da Vila (3) merdas (5) mundo (1) música (6) natureza (7) NHC (2) nós os pretos (1) O dia em pensamentos... (6) Oriflame (1) Paixão (1) português (4) Preconceito (1) preguiça doce preguiça (4) Profissionalismos (2) recordações (1) Religião e Espiritualidade (9) selos/prémios (2) sérgio desaparecido (2) sexo (1) silencio (1) Sou Criança (7) super blog awards (2) tema livre (1) trânsito (3) Transparência (1) Túlipas de Amorizade (5) Velhice (2) xutos (2) Zélio Fernandino de Moraes (1)