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11 dezembro 2010

viagem no sapatinho


Este é sempre o mesmo mês do ano!
É aquele mês que tem um cheiro diferente. O mês em que todos se lembram de ser solidários. O mês em que não se nega aconchego a ninguém. O mês em que as salas de nossas casas se tornam misteriosamente maiores para se plantar num qualquer canto um pinheiro de natal. O mês em que nos lembramos (vá-se lá saber porquê), daqueles que durante todo o ano esquecemos. O mês em que se gasta dinheiro que nunca mais acaba. O mês em que o dinheiro parece não acabar. Há sempre! Para mais isto e mais aquilo.
Hoje o Dezembro não é o mesmo de há uns anos atrás. Lembro-me que aquela canção infantil que diz: "Vão aos saltos pela casa, descalços ou em chinelas, procurar as suas prendas tão belas", quando cantada pela pequena Laura, fazia sentido. Agora bem que posso cantar aos quatro ventos, que não a entendo. Lembro-me do momentos mágicos enquanto as luzes se acendiam e apagavam numa casa enfeitada, cheia de irmãos que não eram os meus. Com uma mesa tão comprida e tão cheia que mal a conseguia ver. Hoje por mais que tente, não sinto magia. Lembro-me até, de cantar os Parabéns ao Menino Jesus! Cada um com uma velinha para soprar... até as lágrimas me vinham aos olhos. Hoje sento-me à mesa, como que nem um alarve, bebo, brinco, canto... mas não é a mesma coisa. Nem a Carolina vê aquela magia que eu via na idade dela... Isso é porque ela não existe.
É o que vos digo. Este Dezembro de agora, não é igual ao de antigamente!
Recordações à parte, venho aqui fazer-vos um convite. Sim, claro, um convite de solidariedade (afinal este é o mês!).
Basta clicar aqui, identificar os pedidos das crianças das Aldeias de Crianças S.O.S. de Portugal, escrever uma frase com as palavras Irlanda, Crianças das Aldeias S.O.S. e Exit e ter o maior nº de "Likes", para se habilitarem a uma viagem à Irlanda (pois!)

Participem para ajudar!! Ontem fizeram-no por mim. Hoje faço-o por eles!


Participação no desafio do mês de Dezembro (o da solidariedade) da Fábrica de Letras

17 março 2010

E porque hoje estou de luto

"Nós somos um jardim
Onde há belas flores
Desde o jasmim
Aos cravos e aos amores.

Há também esperanças
Vinde até Bicesse
À Aldeia das Crianças
S.O.S.!

Andorinhas amparadas
Em ninhos de mão amiga
É feliz a petizada
Que Deus no céu nos bendiga
Pequeninos corações
Albergam amor por vós
E nas nossas orações
Jesus ouve a nossa voz!"





Hoje, que é um dia de grande pesar para todos os filhos das Aldeias de Crianças S.O.S. de Portugal, quero aqui deixar a minha homenagem às nossas queridas Tias Céu, que acaba de nos deixar, e  Palmira que nos deixou há 2 anos.


Foi há 40 anos que a Dra. Maria do Céu Correia e a Dra. Palmira Cabrita Matias fundaram a Associação das Aldeias de Crianças S.O.S. de Portugal, com a ajuda do Dr. Hermann Gmeiner (de quem já vos falei aqui) e de alguns amigos. Ainda jovens universitárias, e com uma vida toda pela frente, estas duas grandes mulheres, interessadas nos problemas sociais que afectavam o nosso país, decidiram, com todo o seu coração, contra tudo e contra todos, criar a bela obra de que vos falo.


Faço uma referência ao post que aqui deixei há uns dias: ::intervalo:: ensaio sobre a felicidade #1, porque a vida é isto mesmo! E as minhas Tias Céu e Palmira não podiam ter aproveitado melhor o delas. Nós, os filhos das Aldeias SOS fomos as "andorinhas amparadas em ninhos de mão amiga". 


Maior que o meu pesar é a minha gratidão como filha das Aldeias de Crianças SOS.



* Enquanto não viram nascer a sua grande obra, não descansaram.
* Enquanto não enchessem todas as casinhas com mães SOS e com filhos SOS, não descansaram.
* Enquanto não esgotassem todas as possibilidades para que nada faltasse aos "seus sobrinhos" (nós), não descansavam.
***
Descansem, agora em Paz.

Com Amor, Saudade e Muita Gratidão
Laura Assis

25 fevereiro 2010

Momento de infância feliz

Todas as pessoas têm a sua história. Todas as pessoas têm pequenos pedaços de histórias com que vão delineando as suas vidas. Todas as pessoas têm a sua própria agulha... aquela com que costuram as linhas da sua vida. Eu tenho uma história, construída de vários pedacinhos de histórias da minha vida. Alguns pedacinhos não são lá muito bonitos, mas sem eles a minha história estaria incompleta por completo!! Conseguem imaginar uma manta de retalhos? Lindas, não são? É assim que quero que imaginem a história da minha vida.
Neste momento, as pessoas que por aqui passam vão poder pegar num retalho da minha vida e admirá-lo, como eu o admiro!
No âmbito da campanha "ajude a tornar o mundo cheio de momentos de infância felizes" , lançada pelas Aldeias S.O.S., como não podia deixar de ser, eu participei com o meu testemunho de "momento de infância feliz"
Este foi o retalho que alterou o rumo da minha vida:


"O meu momento de infância feliz?? É simples!! Foi no dia 2 de Outubro de 1986... Tinha eu 8 anos. De tão pequenina [ainda hoje com 30 (e um) continuo pequenina], eu nem sabia que no mundo existiam maternidades como aquela. Onde os filhos já nascem crescidos e as mães dão à luz com o coração. Mais do que isso, amam-nos como se tivéssemos saído da sua própria barriga. E o mais incível no meio disto tudo, é que os filhos podem chegar à maternidade antes das mães, até mesmo antes da maternidade abrir!! [mas que raio de conversa é esta - pensam alguns de vocês]!!
Pois é... facto, facto, é que aconteceu comigo! Depois de alguns retalhos da minha vida menos felizes, finalmente tinha encontrado um pedaço bem bonito para juntar à minha 'manta'!!
No dia 1 de Outubro de 1986 fiz uma viagem [lembro-me como se fosse ontem] de Peniche até à Guarda a caminho da tal maternidade. Sentia ansiedade, muita muita ansiedade e na minha cabeça de menina todos os pensamentos voavam a mil. O que eu sabia é que ia ter uma mãe... Caramba, uma mãe!!
Finalmente, tínhamos chegado à tal maternidade onde se dá à luz com o coração. Do lado direito estavam erguidas 3 casinhas. E a única coisa que me lembro de ter pensado na altura foi: "que casinhas tão bonitas" [é que vocês não sabem mas, até então, eu nunca tinha vivido numa casa a sério, mas a barraca onde vivi até era bem fixe porque tinha cortinas penduradas a fazer de paredes interiores e assim eu tinha um quarto só para mim!! :P]!!


Nessa noite fiquei em casa dos "senhores que estavam a tomar conta da maternidade" porque a minha nova mãe ainda não tinha chegado...
Acreditam que nessa noite nem consegui dormir?? Ah pois é!! Na minha cabecinha de menina voavam estrelas e mais estrelas. E em cada uma delas eu imaginava o rosto da minha nova mãe... Foi assim até de manhã e, com o nascer do sol, a maior estrela do universo, eis que ela chega. De sorriso nos lábios e de braços abertos para me acolher. Algo me empurrou até aos braços dela e senti o seu carinho como se a conhecesse desde sempre. Não há como descrever a alegria que senti.
Aquela desconhecida, já de idade avançada e viúva, tinha chegado para ser a minha mãe!! Obrigada minha querida Maria Alice , por seres A minha mãe!"


Nota: Este texto não é exactamente o mesmo que o que eu deixei no sítio das Aldeias S.O.S., mas lá o número de caracteres é limitado.

Como é possível uma história destas? É possível graças ao grande fundador das Aldeias de Crianças S.O.S. Transcrevo, abaixo, um excerto que se pode encontrar no sítio das Aldeias de Crianças SOS:
"As Aldeias de Crianças SOS têm a sua origem na Áustria. O seu fundador Hermann Gmeiner conseguiu aplicar uma ideia fundamental e realizar um sonho: dar uma mãe, irmãos, irmãs, uma família e um lar às crianças órfãs e abandonadas da 2ª Guerra Mundial. Em 1949, em Imst, nasceu a primeira destas aldeias familiares.
15 anos depois, em 1964, é fundada a Associação das Aldeias de Crianças SOS Portugal (...). Tem como objectivo o acolhimento de crianças órfãs, abandonadas ou pertencentes a famílias de risco que não podem cuidar delas, proporcionando-lhes um modelo familiar de cuidados a longo prazo e uma formação sólida para alcançarem uma vida autónoma e a integração plena na sociedade.
(…)
Em Portugal existem três Aldeias de Crianças SOS. A primeira Aldeia foi inaugurada em 1967 em Bicesse (Cascais) a 25 Kms de Lisboa. As restantes Aldeias situam-se em Gulpilhares (V.N.Gaia) e Rio Diz, na Guarda [foi nesta “maternidade” que nasci mas, um ano depois, com os meus irmão e a nossa mãe, mudámo-nos para Bicesse, onde permaneci até aos 21 anos].
Desde Outubro de 2006, está em funcionamento a nova Residência de Jovens em Rio Maior, para jovens das Aldeias SOS, que frequentam cursos de formação profissional, nomeadamente em escolas profissionais em Santarém. Outras actividades estão previstas neste espaço como centro de formação de recursos humanos e campo de férias.
Para além das Aldeias de Crianças e Residência de jovens, existe um Centro Social em Bicesse, que dá apoio às mães reformadas [a minha mãe, hoje com 81 anos, vive no Centro Social] e a pessoas idosas da comunidade [em tempos integrava também uma creche que servia a Aldeia e a comunidade]. Há ainda outros projectos de apoio social em estudo destinado a crianças em risco."

E esta foi uma parte da história da minha vida. Desde já deixo aqui um convite para conhecerem de perto esta maravilhosa obra de solidariedade social em Aldeias de Crianças S.O.S. de Portugal



 

"Every big thing in our world only comes true, when somebody does more than he has to do."
Hermann Gmeiner






Sabiam que:

  • Existem hoje 452 Aldeias de Crianças SOS em todo o mundo, que oferecem um lar a 47.400 crianças.
  • Um conjunto de 1.400 instituições SOS (jardins de infância, lares de jovens, centros sociais e médicos) presta auxílio a mais de 600.000 beneficiários em 132 países.
ProntoS! Já partilhei um retalho da minha vida com vocês.


Beijinhos ::lala::


Ps: Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ca post tã grandi!! O_o

::post it::

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