28 fevereiro 2010

Um recado da Mãe Alice para todos vocês

Os beijinhos e palavras bonitas dirigidas à minha mãe já foram transmitidos. Como, devem calcular, com 81 anos (50 mais que eu), já lhe fez um bocado de confusão esta história do blog e da internet, e dos comentários de pessoas que não conhece, etc, etc. Mas a resposta dela foi a seguinte:

"Olha filha... não estou a perceber nada do que estás "prá'i" a dizer, mas diz-lhes que eu é que me sinto orgulhosa por teres sido a minha primeira filha. Diz a essa menina que também é de Moçambique (sim Brown Eyes, é para ti) que não a conheço, mas que gosto muito dela só por ser da minha terra ( a minha mãe também é de Moçambique). E diz a todos esses teus amigos lá do computador - raios que não sei como é que fazem essas coisas agora, no meu tempo nós escrevíamo-nos por carta, agora é só modernices...  - mas adiante, diz-lhes que aqui a velhota gostou muito de te ouvir ler o que eles escreveram. Um beijinho para todos e lutem sempre com muita força e muita garra!!"

e continua... ainda na dúvida:


"- Olha lá mas eles vão mesmo ler o que tu vais escrever??"
"- Sim mãe, não se preocupe. Não só vão ler, como tenho a certeza que vão gostar de a ter "conhecido"
"- Não percebo nada, mas enfim filhota, tu lá sabes!"
*
Acreditem que os olhos da mãezinha se encheram de lágrimas enquanto o seu coração se enchia de orgulho a cada palavra que eu lhe lia!!


Obrigada!!


Ainda sobre o tema Velhice... orgulhosamente publicado na Fábrica de Letras

27 fevereiro 2010

::ai ca nerbes::


ok ok... eu sei que sou um bocado lerda com estas coisas... mas alguém pode explicar aqui à miúda como é que ela coloca o vídeo/selo gentilmente oferecido pelo Melga (o meu querido Timon)  na barra lateral??? Please... dá para explicar à miúda... dá? dá?

25 fevereiro 2010

Momento de infância feliz

Todas as pessoas têm a sua história. Todas as pessoas têm pequenos pedaços de histórias com que vão delineando as suas vidas. Todas as pessoas têm a sua própria agulha... aquela com que costuram as linhas da sua vida. Eu tenho uma história, construída de vários pedacinhos de histórias da minha vida. Alguns pedacinhos não são lá muito bonitos, mas sem eles a minha história estaria incompleta por completo!! Conseguem imaginar uma manta de retalhos? Lindas, não são? É assim que quero que imaginem a história da minha vida.
Neste momento, as pessoas que por aqui passam vão poder pegar num retalho da minha vida e admirá-lo, como eu o admiro!
No âmbito da campanha "ajude a tornar o mundo cheio de momentos de infância felizes" , lançada pelas Aldeias S.O.S., como não podia deixar de ser, eu participei com o meu testemunho de "momento de infância feliz"
Este foi o retalho que alterou o rumo da minha vida:


"O meu momento de infância feliz?? É simples!! Foi no dia 2 de Outubro de 1986... Tinha eu 8 anos. De tão pequenina [ainda hoje com 30 (e um) continuo pequenina], eu nem sabia que no mundo existiam maternidades como aquela. Onde os filhos já nascem crescidos e as mães dão à luz com o coração. Mais do que isso, amam-nos como se tivéssemos saído da sua própria barriga. E o mais incível no meio disto tudo, é que os filhos podem chegar à maternidade antes das mães, até mesmo antes da maternidade abrir!! [mas que raio de conversa é esta - pensam alguns de vocês]!!
Pois é... facto, facto, é que aconteceu comigo! Depois de alguns retalhos da minha vida menos felizes, finalmente tinha encontrado um pedaço bem bonito para juntar à minha 'manta'!!
No dia 1 de Outubro de 1986 fiz uma viagem [lembro-me como se fosse ontem] de Peniche até à Guarda a caminho da tal maternidade. Sentia ansiedade, muita muita ansiedade e na minha cabeça de menina todos os pensamentos voavam a mil. O que eu sabia é que ia ter uma mãe... Caramba, uma mãe!!
Finalmente, tínhamos chegado à tal maternidade onde se dá à luz com o coração. Do lado direito estavam erguidas 3 casinhas. E a única coisa que me lembro de ter pensado na altura foi: "que casinhas tão bonitas" [é que vocês não sabem mas, até então, eu nunca tinha vivido numa casa a sério, mas a barraca onde vivi até era bem fixe porque tinha cortinas penduradas a fazer de paredes interiores e assim eu tinha um quarto só para mim!! :P]!!


Nessa noite fiquei em casa dos "senhores que estavam a tomar conta da maternidade" porque a minha nova mãe ainda não tinha chegado...
Acreditam que nessa noite nem consegui dormir?? Ah pois é!! Na minha cabecinha de menina voavam estrelas e mais estrelas. E em cada uma delas eu imaginava o rosto da minha nova mãe... Foi assim até de manhã e, com o nascer do sol, a maior estrela do universo, eis que ela chega. De sorriso nos lábios e de braços abertos para me acolher. Algo me empurrou até aos braços dela e senti o seu carinho como se a conhecesse desde sempre. Não há como descrever a alegria que senti.
Aquela desconhecida, já de idade avançada e viúva, tinha chegado para ser a minha mãe!! Obrigada minha querida Maria Alice , por seres A minha mãe!"


Nota: Este texto não é exactamente o mesmo que o que eu deixei no sítio das Aldeias S.O.S., mas lá o número de caracteres é limitado.

Como é possível uma história destas? É possível graças ao grande fundador das Aldeias de Crianças S.O.S. Transcrevo, abaixo, um excerto que se pode encontrar no sítio das Aldeias de Crianças SOS:
"As Aldeias de Crianças SOS têm a sua origem na Áustria. O seu fundador Hermann Gmeiner conseguiu aplicar uma ideia fundamental e realizar um sonho: dar uma mãe, irmãos, irmãs, uma família e um lar às crianças órfãs e abandonadas da 2ª Guerra Mundial. Em 1949, em Imst, nasceu a primeira destas aldeias familiares.
15 anos depois, em 1964, é fundada a Associação das Aldeias de Crianças SOS Portugal (...). Tem como objectivo o acolhimento de crianças órfãs, abandonadas ou pertencentes a famílias de risco que não podem cuidar delas, proporcionando-lhes um modelo familiar de cuidados a longo prazo e uma formação sólida para alcançarem uma vida autónoma e a integração plena na sociedade.
(…)
Em Portugal existem três Aldeias de Crianças SOS. A primeira Aldeia foi inaugurada em 1967 em Bicesse (Cascais) a 25 Kms de Lisboa. As restantes Aldeias situam-se em Gulpilhares (V.N.Gaia)Rio Diz, na Guarda [foi nesta “maternidade” que nasci mas, um ano depois, com os meus irmão e a nossa mãe, mudámo-nos para Bicesse, onde permaneci até aos 21 anos].
Desde Outubro de 2006, está em funcionamento a nova Residência de Jovens em Rio Maior, para jovens das Aldeias SOS, que frequentam cursos de formação profissional, nomeadamente em escolas profissionais em Santarém. Outras actividades estão previstas neste espaço como centro de formação de recursos humanos e campo de férias.
Para além das Aldeias de Crianças e Residência de jovens, existe um Centro Social em Bicesse, que dá apoio às mães reformadas [a minha mãe, hoje com 81 anos, vive no Centro Social] e a pessoas idosas da comunidade [em tempos integrava também uma creche que servia a Aldeia e a comunidade]. Há ainda outros projectos de apoio social em estudo destinado a crianças em risco."

E esta foi uma parte da história da minha vida. Desde já deixo aqui um convite para conhecerem de perto esta maravilhosa obra de solidariedade social em Aldeias de Crianças S.O.S. de Portugal



 

"Every big thing in our world only comes true, when somebody does more than he has to do."
Hermann Gmeiner






Sabiam que:

  • Existem hoje 452 Aldeias de Crianças SOS em todo o mundo, que oferecem um lar a 47.400 crianças.
  • Um conjunto de 1.400 instituições SOS (jardins de infância, lares de jovens, centros sociais e médicos) presta auxílio a mais de 600.000 beneficiários em 132 países.
ProntoS! Já partilhei um retalho da minha vida com vocês.


Beijinhos ::lala::


Ps: Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ca post tã grandi!! O_o

22 fevereiro 2010

era um selo com perguntas, por favor...

Recebi mais um selinho da Patty. Obrigada!!

Este vem acompanhado de um pequeno desafio de 10 perguntas às quais, 'por acaso' até vou responder e por acaso até servem para conhecerem um bocadinho melhor esta miúda ;p...

1. Dois truques de beleza: Não tenho truques de beleza. Lavo a fronha com sabonete de glicerina de manhã e à noite. 'Mai nada'!

2. Duas prendas que gostas de receber: Flores e perfumes

3. Local preferido para fazer compras: FIC - Feira Internacional de Carcavelos - e não estou a brincar!!!!

4. Dois defeitos: Refilonaaaaaaaa, bruta que nem uma porta!!!
5. Duas qualidades: Boa mãe, Boa amiga

6. Dois produtos de beleza recomendáveis: Sabonete de glicerina de maçã e sabonete de glicerina de morango ;p!! eu sei lá!! um creme corporal??? hum..... qualquer um desde que me agrade o cheiro e não me deixa a pele ainda mais seca... não ligo nenhuma a essas coisas!
7. Três manias: sempre que vou à casa de banho tenho que ter algo para ler (nem que seja o frasco do shampoo), beber café com um cigarro entre os dedos (mesmo que não esteja aceso), falar sozinha, ui... falo, falo, falo falo... baixinho, alto e até sou capaz de me responder... (cada maluco com a sua, tá?!?)
8. Três características que não suportas nas pessoas: falsidade, mentira e irresponsabilidade

9. Três características que adoras nas pessoas: simpatia, bondade e espontaneidade;
10. Pessoa especial para ti: A minha filha, sem dúvida!

Passar o selo a 5 blogues:

Rits
Helga
Amapola
Eva Gonçalves
Tulipa

Notinha*: não têm obrigatoriamente que responder às perguntas do desafio... eu respondi. pronto'S'. tá 'notado'!

Beijinhos, ::lala::

21 fevereiro 2010

Dia Internacional da Luta contra o Cancro

E porque hoje é aquele dia que dá título a este post... venho aqui postar e deixar um alerta, para que as pessoas não tenham medo nem vergonha de ir ao médico, mesmo que não seja por nada!

Tenho uma experiência que dita mesmo isso!!
Eu andei uns tempos com dores no peito e andava paranóica porque achava que sentia caroços em tudo quanto é sítio. Fui ao médico. 
Exames: Eco-Mamária! Apenas! 
Cheguei a centro de imagiologia e na hora de ser atendida tremia que nem uma vara.
O médico fez a eco, apalpou o que tinha a apalpar - que, confesso não sei como conseguiu, é que pareço uma tábua de engomar - e diz:

- Nada. Minha cara menina, não tem aqui nada. Mas como é que fez a apalpação?
Eu lá expliquei...
Ao que ele responde... 
- Pois claro... isso estava era a ser mal apalpado!!!

E a 'bela' da Laura sai do centro toda feliz, contente e, garanto-vos, muito mais aliviada!!

Tenho uma outra história que não vou contar ao pormenor, mas gostava de partilhar umas palavrinhas.

Tenho uma grande amiga, a 'J', que tem cancro da mama. O peito já lhe foi retirado, passou por 12 operações em 4 anos porque o 'nosso amigo' não quer deixar aquele corpo que luta a bom lutar, e anda a espalhar-se por ele fora!
A 'J' faz 50 anos não tarda, e luta. Lembro-me sempre dela antes de me queixar seja lá do que for. Eu acho até que as forças dela são sobrenaturais... não é normal!!
A 'J' sofre, e não diz (mas eu sei), farta-se de trabalhar, mas anda sempre de cabeça levantada e dá exemplos de grande luta e coragem para quem andar armado em 'calimero'.

Ser vítima de um cancro, não é nada fácil nem barato, bem sei. Mas depois de acompanhar o 'progresso', com alguns regressos, da 'J', sinto que devo enfrentar o mundo e todas as suas adversidades de cabeça levantada... tenha eu uma unha encravada ou uma doença crónica mortal.

"Sacana não me há-de comer, porque eu não deixo!!" - por 'J'

Portanto, malta não choremos sobre leites derramados. O cancro existe e pode ser prevenido. No caso da 'J' já não fomos a tempo, no entanto, enquanto ela tiver vida, há-de estar cá para durar e lutar... mesmo que jamais se livre dele!

Nunca é tarde para fazermos uma visitinha ao Sr. da bata branca!!

Às vezes...





Às vezes és uma ideia que passa por entre raios de luz...
Às vezes és uma rua cheia de pessoas entregues a si…
Às vezes pegas-me pela mão e és tu quem me conduz…
Às vezes largas-me e afastas-te de mim…

Nem sempre estou assim tão perto de ti…
Nem sempre estou tão longe, que precises de gritar por mim…
Nem sempre eu te amo…
Nem sempre eu te quero…
Nem sempre eu choro por ti

Às vezes só queria o teu abraço…
Às vezes só queria deitar-me no teu regaço…
Às vezes só queria olhar nos teus olhos
E descobrir neles minh'alma…
Minha vida, meus sonhos

Nem sempre estou disposta a ouvir da tua boca
Palavras que magoam…
Nem sempre eu posso deixar-me ao abandono
Enquanto as palavras soam, soam…

Junho'97


Imagem: aqui

18 fevereiro 2010

9 anos de amor umbilical - Feliz Aniversário!!

Ok...  hoje venho aqui para falar-vos da minha Estrela Guia!
E porquê hoje? É que hoje é um dia muito especial para ela e para mim também!
Esta criança foi o melhor que me aconteceu na vida! Uma miúda linda, alegre, teimosa, vivaça, verdadeira, teimosa, sensível, inteligente, teimosa que, é também minha amiga e confidente, para além de ser muito teimosa, claro (tenho a sensação que já disse isto)!
Acreditem ou não, sabe guiar-me nos momentos mais difíceis. Ensina-me, dá-me conselhos, apoia-me!
Como todas as crianças, é muito sincera... sem medo de magoar, diz o que pensa... É que as crianças, não tendo maldade, não sabem o que é magoar...
Ela ensina-me a melhor forma de dizer seja o que for a qualquer pessoa, ela mostra-me quando estou errada, desaprovando algumas atitudes que tenho perante ela (um bom exemplo disso neste post), perante os outros e, até mesmo, perante a vida... Não é com intenção de se "proteger" de algum 'ralhete', mas sim de me ajudar... Critica-me cruelmente apontando-me o dedo só para me ajudar! E ajuda!
"Acredita em mim, porque eu sei!" diz-me ela às vezes! E, na verdade, ela sabe mesmo...
É uma criança que não me dá problemas nenhuns, antes pelo contrário: apresenta-me soluções... das mais simples!
A ideia universal de que para as crianças tudo é fácil e simples, encaixa perfeitamente na Maria Carolina porque para ela não existem problemas, existem situações... Umas mais difíceis que outras, claro! Para ela tudo é de simples resolução... os adultos é que complicam tudo - e é verdade!

..
Pois bem, como eu dizia lá atrás, hoje é um dia muito importante para nós! É que à hora em que este texto for postado, nós completaremos 9 anos. Ela de filha, eu de mãe!!
Ah pois éeeeee! Já 9 anos se passaram e parece que foi ontem que cheguei à maternidade fresca e fofa como se nada fosse comigo. Com um barrigão que nem via o raio dos pés, mas magrinha que só visto! E mais: foram 5 horas de puro relaxamento... fiquei um pouco mal disposta (tipo zangada, mesmo) com o Sr. Dr. quando me foi acordar dizendo: "Mãe, tem que acordar, está na hora!". E querem saber o que pensei? Pois... "opá... dá para dormir um bocadinho???"
Pelo corredor fora as enfermeiras empurravam a cama como se não houvesse amanhã... Mas que raio?? Tanta pressa?? (a minha filha prestes a nascer e eu queria era dormir... dá para acreditar???)
..
Na sala de partos atiram-me com uma perna para cada lado e 'gritam' (não fosse eu adormecer outra vez): "Mãe, faça força quando eu disser 3"... Nem me lembro se cheguei a fazer.... porque de repente:
"Uhaaaaaaaaaaaaaaaaaaa" - o soar dos meus sinos, a luz dos meus olhos, o quente do meu sol, a frescura da minha chuva, a beleza da minha vida... (acordei num instante, como calculam!).


Eis senão quando, levanto a cabeça um pouco e vejo a pirralha de goela toda escancarada, lá ao fundo da sala... Linda (sim é claro que digo isto por ser minha filha, por que outro motivo o diria??).
Agradeço todos os dias a benção. Não sou perfeita como mãe... mas ela é perfeita (para mim) como filha!!


Feliz Aniversário Pirralha!!


Amo-te muito!!!

17 fevereiro 2010

E depois da festa...

Volto já, volto já!!
Estou só a recuperar de um fim de semana em que as horas foram mais curtas que sei lá o quê... ou longas, já nem sei! O que sei é que foram de pura e completa folia!! Sem máscara, claro, mas sempre em folia!!

Por isso, e como ainda tenho os neurónios meio baralhados... volto já!!

Beijinho!!

13 fevereiro 2010

Túlipas de Amorizade



S. Valentim é o santo que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países, onde celebram o seu dia.
Durante o governo do imperadorCláudio II, este proibiu a realização de casamentos no seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens se não tivessem família, se alistariam com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. O seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens deitavam flores e bilhetes dizendo que todos jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que mandaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega: Asterias, filha do carcereiro. A qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonandos e milagrosamente a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de270.
..
Então se dia 14 é o dia da celebração do amor... vamos celebrá-lo com amor! Mostremos aos outros o quanto os amamos. Vamos divertir-nos. Não precisamos de par. Só precisamos de amar!!
..
à minha filha que tanto me tem ensinado e que me deixa tão, mas tão orgulhosa de ser mulher/mãe! Amo-te com todas as letras. Com todas as forças. Com todo o meu amor!
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A todos o meus grandes amigos, os que me aturam porque me amam (e àqueles que não estão para me aturar também), esparramo aqui na internet (para quem quiser ler) que os amo 'por demais'!! Obrigada por tudo!!
..
A todos o meus 'amigos bloggers' que têm paciência para ler o que rabisco (e também para os outros que não a têm) e ainda me comentam, quero enviar muito amor... do puro! Obrigada a todos pelo carinho!
..
Beijinhos** da Preta!!

10 fevereiro 2010

Sim sou preta!

Antes de começarem a ler este post, peço desculpa pela linguagem utilizada, mas tinha que vos expressar o meu ponto de vista e falar-vos desta experiência 'menos boa'.


Uma vez passei por um blog (ou lá o que era aquilo) que me cativou. Chamou-me a atenção a mensagem de apresentação da proprietária do mesmo, que dizia assim:


Sou fã da psicologia inversa, por isso não me tentem ofender... raramente dá resultado. 


Gostei do blog. Segui o blog. Fui lendo e comentando. Até ao dia em que me deparei com um post descaradamente racista com a imagem e o texto abaixo:








Nunca fui racista e sempre critiquei generalizações mas a maior parte dos africanos ( camada juvenil ) que vive actualmente neste país não estuda, não trabalha, não colaboram em nada para o país que afirmam ser também deles porque nasceram cá... Mas trabalhar e lutar por esse tal país tá quieto! Optam por fazer filas na Seg. Social para pedirem casas, comida e subsídios para tudo e mais alguma coisa! E como o Estado lhes paga... para quê mudar? São burros mas são espertos! E se alguém diz alguma coisa vem de imediato uma associação qualquer defender os coitadinhos porque são marginalizados! Marginalizado infelizmente é quem trabalha e faz alguma coisa por isto! Alguns culpam a situação difícil de Angola por exemplo, como tendo sido culpa dos Portugueses que de lá sairam... a eterna vitimização! A Alemanha teve 2 guerras mundiais, fome e destruição por toda a parte e não ficaram a ver navios, levantaram-se e andaram para a frente! Desculpas da treta para a boa vida... P.S- Hesitei em escrever sobre isto mas a mostarda chegou-me ao nariz com certas coisas que observo, é um mero desabafo, mas se quiserem podem prender-me à vontade que eu também quero viver à conta do Estado!


...


Caramba. Os meus amigos mais chegados tratam-me por "Preta". Brincamos com a palavra, com situações de racismo MUTUO existente no mundo, até com a escravidão. Mas desta vez senti-me ofendida. O post tinha uma data de comentários, uns racistas, incluindo os dela, outros não. Podia simplesmente ignorar. Mas, foi mais forte que eu e tive que responder:


Sou preta. Sim sou. A minha filha também (o pai dela é branco, mas na linha dos africanos ninguém atravessa). Um preto é sempre um preto! Arrepiei-me ao ler tudo isto. Não estou nem um pouco interessada em comentar o que os demais já comentaram. Tudo esmiuçadinho, vejo dois lados da questão: os que acham que somos "pretos do caralho" e os que não acham.
Ora... eu nasci preta e fui criada por brancos... a minha filha nasceu quase branca e está a ser criada por uma preta... O pai da minha filha é branco... As relações inter-raciais só poderão resultar algum dia se as pessoas souberem respeitar-se. São os pretos e são todos. Existe falta de respeito. E de nada vale dizer: "ah não! eu não sou racista!"; porque se não respeito então sou. Não ando a coçar o cú nas paredes. Trabalho que nem uma doida para sustentar a minha filha. Não quero que me lavem o cú em água de malvas, aliás, prefiro sabonete Dove até porque o pago com o MEU ordenado. Não roubo. Não mato. Não esfolo. Se quero casa pago-a, se quero comida compro-a e faço-a e se quero roupa lavada lavo-a com a máquina de lavar que comprei com o MEU ordenado. Fui à Segurança Social 2 vezes. A primeira para registar a minha filha no meu agregado familiar. A segunda para solicitar subsídio de desemprego, que usufruí por apenas 2 meses, porque não gosto de viver à conta dos outros.
Sim sou preta. Desculpem lá!

...
Ora, depois disto não obtive resposta daquela miúda 'metida a besta' (como diriam os brasileiros) que se apresenta com 'ar ameaçador' e que se apresenta daquela forma... uhhhhhh 'ka medo'
...
Isto só para mostrar que infelizmente, e nos dias que correm ainda existem alguns seres humanos que não percebem algumas coisas. Não percebem mesmo! O que vale é que eu sou FELIZ!

escrita por mão própria


Adoro folhas de papel, canetas de ponta fina, macias, leves ao toque.

Já o papel, qualquer pedaço, desde que tenha espaço!

Aqui está o meu testemunho manuscrito!

Bem, Lobinho, se a moda pega... está tudo 'quinado'!

Beijinhos**

Um cacto, Ginger?!?!

Eu disse que te respondia, pois então aqui vai:

Magestosa. Imponente.
Folha feita espinho.
Talo suculento.
Flor simétrica e solitária
Mas bela  de noite ou de dia.
Independente e auto-suficiente.

Ginger... 'ser' um cacto tem muito que se lhe diga... irra!! Mas são lindos!!

Beijinho grande para ti**

09 fevereiro 2010

Lala vista como uma flor...

Gosto de flores.
Tenho um gosto especial por papoilas e tulipas.

A papoila, bem...

A papoila transmite-me força.
Leve como um pedaço de papel de seda.
Complexa no seu interior.
Simples na sua forma.
Forte. Corajosa.
Encontra sempre o seu lugar ao sol.
::assim é a Lala::

A tulipa... ah a tulipa!

Essa encanta-me...
Transmite-me confiança. Energia.
De haste rija. Flor solitária.
Diferente entre iguais.
Diversificada no seu género.
Mas única na sua forma.
Multicolor. Especial.
::assim é a Lala:: (olha eu ali de amarelo)!

03 fevereiro 2010

O Feiticeiro das Pedras do Mar

 
Era um velho muito velho, que vivia numa casa de palha, na praia, sozinho e feliz.
Os putos costumavam passar pela casa de palha e, entoando risinhos de gozação ou, talvez brincadeira, chamavam pelo "Feiticeiro das Pedras do Mar" - era assim que por todos era conhecido - e depois, os mais envergonhados, fugiam a correr, os outros, mais corajosos, ficavam à espera que reagisse. Reagia sempre. Tanto para os que fugiam como para os que ficavam, com um sorriso. O velho sorria sempre. Com aquela dentadura mais branca que sei lá o quê - se ele não fosse velho, juraria que eram dentes de leite - sorria para os gaiatos. Nunca falava - aliás nunca lhe ouvi uma palavra, nem resmungada, nem rezada! Mas sorria sempre.

Ninguém lhe sabia o nome - nem eu sei - e também ninguém lhe conhecia as raízes. Era um velho muito velho. Mas só se sabia isso porque o velho era o mesmo desde o tempo em que os pais daqueles putos eram putos. Já eles por ali passavam com risinhos a chamar pelo "Feiticeiro".
Era preto que nem carvão, o velho. De caracolinhos brancos e bem cerrados, mas sem uma única linha da passagem do tempo no seu rosto.
Toda a vila estava habituada apenas à sua casa de palha e à sua presença ali... Ali mesmo, entre uma duna e outra, naquela praia que era a dele... Todos os outros, mesmo não sabendo, eram seus convidados de todos os dias. Fosse verão ou inverno. A praia tinha sempre gente. E sorria para as gentes como se estivesse a recebê-los nalguma festa. 
Quem ia à "praia do feiticeiro" - assim era conhecida - não entrava sem o cumprimentar, nem saía sem se despedir... nem que fosse só com um aceno.
Mas também ninguém sabia que conversas se travariam na sua cabeça, por detrás daquele sorriso branco.

Mas por mais "feiticeiro" que fosse achado pelas gentes daquela vila - e pelas demais, incluindo eu - na verdade, o velho não o era. Não era adivinho, não lançava búzios, não engendrava poções mágicas.
No entanto, o velho tinha uma curiosidade, de que poucos falavam, mas eu atrevo-me aqui a contar-vos. Tinha sete pedras nos, ainda, bolsos das suas calças mais que rasgadas (quase desfeitas, acreditem). Mas aqueles bolsos resistiam e albergavam todos os dias o mesmo peso. Há anos que assim era. Quatro pedras no esquerdo e três no direito. E nunca as trocava de bolso. Sabia exactamente quais eram "as quatro" e quais eram "as três". Ninguém sabia o que fazia ele com aquelas pedras. Volta e meia andava com elas na mão. Às vezes parecia que falava com elas. Outras vezes parecia que as lia. Outras ainda, que as ouvia.

Quando o sol estava alto, o velho colocava-as por cima da palhoça durante algum tempo. E depois retirava-as directamente para os respectivos bolsos. Repetia isto sempre que havia sol.

Um dia os putos passaram pela casa de palha, com os habituais risinhos de gozação, ou brincadeira - nunca cheguei a perceber -  e o velho... nada! O sol estava quente e as pedras como de costume estavam em cima da palhoça. Mas do velho, nem sinal.
Os mais corajosos atreveram-se a espreitar por entre as palhas já ressequidas pelo sol e nada mais conseguiram avistar que a sua esteira de palha e um caneco de barro.
O mais pequenino ousou, ainda, tocar nas pedras do velho - nunca ninguém ousara - e percebeu que faltava uma... Toda a gente dizia que o velho tinha sete pedras, mas o puto só contava seis...

Correram para a vila, ofegantes e assustados. Depressa se espalhou a notícia e mais depressa ainda se juntaram as gentes na "praia do feiticeiro".  Os sons naturais da praia foram abafados por um burburinho irritantante de especulações - algumas delas descabidas, confesso. Nem nas pegadas na areia poderiam tentar descobrir fosse o que fosse, pois se a praia estava cheia de gente, então as pegadas do velho haviam desaparecido.

O sol foi-se e, pouco a pouco as pessoas foram saindo da praia. Ficaram os putos. Ainda estarrecidos e, pelo que percebi, um pouco enfurecidos com o velho.

- "Mas afinal onde se meteu o Feiticeiro das Pedras do Mar?" - perguntou um deles já desvairado.
- " Foi procurar a pedra que lhe falta. Se calhar está dentro do mar..." - respondeu o mais pequeno - aquele que contou as pedras.

Instalou-se um silêncio cortante. E o puto mais pequeno vira as costas zangado e diz:

- "A Praia do Feiticeiro" não vai voltar a ser a mesma se o velho não encontar a pedra... Disso eu tenho a certeza!" E foram-se embora.


Participação de um velho "feiticeiro" no desafio do mês de Fevereiro para a Fábrica de Letras

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